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5. Retomando a proposta – “what is inhibit, what is not” – o que está inibido, o que não está!

15/05/2017

Ao longo de minha participação ativa com a International Society of NeuroPsychoanalysis, (e lá se foram 17 anos desde sua fundação - https://npsa-association.org),  só não fui em dois congressos – quando minha neta nasceu e quando ela completou 1 aninho. Em todos esses encontros anuais um dos palestrantes-mor sempre foi Jaak Panksepp. E ele partiu recentemente....  Esta difícil administrar o luto do mentor intelectual, mas os escritos ficaram... e gostaria de deixar registrado aqui a importância de seu trabalho. Foi meu mentor durante todos esses anos e aprendi com ele aquilo que transcende seus escritos. Foi com ele que, em cada supervisão aprendia um pouco mais da importância do alicerce neuro-desenvolvimental. Foi, então, quando, residindo em Michigan, conheci Rick Solomon (www.playproject.com) e percebi pontes entre os dados de pesquisa de Jaak e a metodologia neuro-desenvolvimental do PLAY Project, e assim encontrei uma forma de por em pratica, a teoria do meu alicerce teórico.

Hoje tenho uma imagem clara (aprendi com Damásio e outros que fazemos imagens de nosso conhecimento, e que no TEA isto esta bem verbalizado pela Temple Grandin quando fala sobre falar por imagens...

Então aí vai a minha imagem da construção neuro-desenvolvimental: quando nascemos somos encharcados de estímulos do meio ambiente. Mas também trazemos conosco material para a construção da “nossa casinha” (cérebro/corpo/mente). Os genes e os registros mnêmicos estão disponiveis para nos ajudar, pela interação com o meio ambiente, a selecionar o quanto de cimento (sensorial), quanto de tijolos (motor) e quanto de argamassa (afetivo), usaremos na construção da casinha. Ela se inicia intra útero e prossegue ate a perda total da busca da homeostase, a morte.

Nessa linha do tempo há que se ter maior gasto de energia no alicerce da casa, nos primeiros anos de vida, há que se construir as paredes com a linguagem e o aprendizado, e há que se colocar o telhado usando as funções que emergem da rede cortical, preenchida com representações a serem significadas....

..... Que precisa inibir e ser inibida…. Botom up/top down......

O reboco e a pintura protegerão a casa de interferências externas calamitosas, mas de fato quem sustenta a casa de pé será o alicerce. ...

E não é à toa que é no alicerce que mais investimos. Pois que, ao estarmos “recheando” e entrelaçando, e representando no córtex, de como percebemos o estímulo e como agimos em resposta, temos muito gasto de energia no mecanismo fascilitatório/inibitório (até o telhado e de volta para o alicerce), ao longo de nossa vida. Telhado e Paredes nos deixam conectados com nossa realidade externa e interna, onde os afetos fazem esse importante papel amalgamador.

Mas somente isso não seria o suficiente pois precisamos da modulação dos aportes sensoriais para idear e realizar o planejamento motor! A constante atividade retroalimentar entre bottom-up /topdown garante a adaptação do substrato, que as paredes precisam para aprimorar e complexizar-se. Somente então poderemos decora-las com as características individuais que nos tornam tão único!....

 

Maria Sonia Goergen, MD, Neuropediatra
Supervisora do Neuroplaybrasil

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